terça-feira, 13 de maio de 2014

ALDEIA DO MATO ABRANTES - REGISTOS PAROQUIAIS 1860-1911 - 4


Um trecho de Carreira do Mato
 
 
ALDEIA DO MATO 1860 A 1911
 
(UM ESTUDO DOS REGISTOS PAROQUIAIS) – parte 4
 (Continuação)
 NUPCIALIDADE
Nas mais diversas culturas, das sociedades primitivas às atuais, a ligação entre o homem e a mulher foi sempre fenómeno natural e social, revestindo-se de variadas regras e princípios, tendo normalmente subjacentes crenças religiosas, suportes morais e filosóficos, interesses económicos e fundamentos biológicos. Uma teia vasta, complexa e complicada, cuja abordagem caberia a psicólogos, sociólogos, antropólogos e teólogos, mas que não se enquadra no âmbito do nosso trabalho.
Convirá lembrar que os casamentos teriam lugar na Igreja Paroquial, e que os lugares indicados nos registos seriam os de fixação do novo casal, entendendo-se deste modo que surjam lugares fora da freguesia e da paróquia da Aldeia do Mato.
Passemos então aos 333 registos encontrados, reportados aos 52 anos que incluem 1860 e vão até à porta de 1912.
4.1. Número de Casamentos e Distribuição por Lugares
Temos um total de 333 casamentos, com a seguinte distribuição geográfica: Não estranhemos que alguns de vão fixar fora dos limites da freguesia.
LUGAR
QUANTIDADE
Aldeia do Mato
41
Bairro
16
Cabeça Gorda.
88
Carreira do Mato
98
Casinha.
1
Casais
28
Medroa
42
Vale de Chões
1
Vale Redondo
2
Amoreira
1
Alverangel
1
Casal do Rei
1
Casalinho
1
Mouxões
2
Pucariça
2
Raxão (Souto)
1
Rio de Moinhos
1
Vilelas
1
Sem indicação
5
TOTAL
333

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


4.2 Idade dos Nubentes
Em extratos bem definidos das sociedades há fatores que são apontados como determinantes da idade do casamento, ainda que vários e variáveis ao longo dos tempos. Parece-nos que num meio rural como o nosso, num contexto de família patriarcal onde, por cultura e tradição, o homem era o chefe da família, seria importante se ele estava ou não apto a prover ao seu sustento (ou à sua mera subsistência, afinal), ou seja, se tinha terras, negócio ou ofício, ou se estava disposto a ir vender a força do seu trabalho para angariar sustento, mesmo que fosse longe da terra. Naturalmente que outras circunstâncias imprevistas ou indesejadas poderiam, também, apressar, retardar ou, apenas, determinar o casamento.
Verifica-se que, no período que estudamos, a maior parte dos casamentos ocorria por volta dos 30 anos de idade. Em geral, o homem tinha entre 29 e 31, e a mulher era 2 anos mais nova. Registamos casos pontuais em que a diferença chegou aos 11 anos. Pontualmente, a mulher tinha a mesma idade, ou era ligeiramente mais velha do que o homem.
Como caso limite registamos um casamento de uma jovem com 16 anos e de três com 19, não nos tendo sido possível colher a idade dos maridos.

4.3. Casamento em Segundas Núpcias
Parece-nos interessante saber em que medida as pessoas voltavam a casar depois da viuvez, que atingia mais os homens, pois muitas mulheres morriam durante a gravidez ou durante o parto. De um modo claro, apuramos 22 casamentos em segundas núpcias, verificando-se que em 13 casos o homem era viúvo e em 9 a mulher era viúva. Nestes 22 casamentos encontramos apenas 1 em que tanto o homem como a mulher eram viúvos.
4.4. Distribuição por Meses
Apercebemo-nos de um maior número de casamentos entre os meses de Novembro e Fevereiro. Em Novembro, 33; em Dezembro, 30; em Janeiro, 41; em Fevereiro, 81. Isto, num universo de 333 registos em 52 anos.
É plausível admitir que o fim do ano agrícola e a matança do porco fizessem deste período o mais indicado para fazer face às necessidades da boda, como costumam lembrar os historiadores, mas, no caso, não é fácil provar tal asserção
4.5. "Mulher de"
No registo de óbitos encontramos referências que indiciam a existência de casais sem casamento. Existem 9 registos de óbito de mulheres com a indicação "mulher de". Provavelmente, pessoas e situações fora das regras da Igreja
(continua)
Manuel Paula Maça


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