domingo, 4 de maio de 2014

ALDEIA DO MATO ABRANTES - REGISTOS PAROQUIAIS 1860-1911




ALDEIA DO MATO 1860 A 1911
 (UM ESTUDO DOS REGISTOS PAROQUIAIS) - 2

 (Continuação)

 NATALIDADE
                                                        
2.1. Distribuição por Lugares

Nos registos paroquiais constam 1214 Assentos de Batizado, que abrangem o período de 1860 a 1911, inclusive. Importa lembrar que a implantação da República, ocorrida a 5 de Outubro de 1910, levou à criação do Registo Civil e à Separação da Igreja e do Estado, com toda uma série de implicações também de carácter administrativo. Assim se entende que os registos em apreço terminem em 1911, tendo o Padre Manuel Lopes Alpalhão deixado escrita pela sua própria mão a seguinte nota: "Começa hoje, 1 de Abril, o registo civil obrigatório". Mesmo assim, e como já foi dito, os registos estendem-se a 31 de Dezembro desse ano.
Passemos aos números e à distribuição por lugares, neste universo de 52 anos.       
 
Lugar
Quantidade
Aldeia do Mato
165
Abrantes
4
Bairros (Cimeiro e Fundeiro)
98
Arroteia
2
Cabeça Gorda
281
Carreira do Mato
390
Casais
100
Figueiras
1
Medroa
147
Vale de Chões
14
Vale Redondo
8
Vale Salgueiro
2
Vales
1
Várzea da Portela
1
Total
1214
Agrupadas pelo sexo, teremos::

- Sexo feminino: 587

- Sexo masculino: 627.

Parece percetível que os lugares mais populosos seriam, por ordem decrescente, Carreira do Mato, Cabeça Gorda, Aldeia do Mato e Medroa. Adiante verificaremos que assim era.

Os lugares com menos registos perderam expressão em termos de fixação de pessoas: Figueiras, Vale Redondo, Vale Salgueiro e Várzea da Portela.

Os 4 registos de Abrantes poderão referir-se a expostos (1) vindos dali, embora sob alguma reserva decorrente das insuficiências dos registos.

 2.2. Filhos por Casal

A taxa de natalidade era elevada. Como limite, encontramos casais com 13 filhos, sendo dominantes 4, 5 e 6. Não nos é possível a quantificação dos casos, devido à frequência com que surgem pessoas com nomes iguais ou semelhantes, que é problemático distinguir. Ainda assim, procuramos identificar casos limite, para o que fizemos o cruzamento de nomes, lugares e datas.

Fica a nota de que identificamos 22 casamentos em segundas núpcias, onde os casais mais novos tiveram filhos, mas em menor número. Lá iremos.

2.2.1. Dois exemplos

Onze filhos: Martinho dos Santos Victória casou com Maria Joana, em 1865. O casal fixou-se na Aldeia do Mato. Ela tinha 16 anos; ele, não sabemos. O primeiro filho nasceu um ano mais tarde, mas vieram mais 10. No total foram 11: 7 rapazes e 4 raparigas. Morreram 2 rapazes e uma rapariga (2), pelo que sobreviveram 8 filhos.
Maria Joana viria a morrer com 60 anos, ou seja em 1909. De Martinho não temos registo de óbito, o que pode significar que morreu depois de 1911 (onde terminam os registos) ou que poderá ter falecido noutro lugar, até porque pertencia a uma família com ligação à freguesia do Souto e a esposa faleceu em 1909.

Treze filhos! António Damásio e Maria José casaram em 1868. Fixaram-se nos Casais. Ele tinha 31 anos, mas dela não encontramos registos anteriores. O primeiro filho nasceu um ano depois, mas vieram mais 12. No total foram 13: 7 rapazes e 6 raparigas. Mas aqui a morte fez muito uso da sua foice implacável: morreram 5 rapazes e 2 raparigas, restando 6 filhos ao casal. António viria a morrer com 66 anos, ou seja em 1903. De Maria José não sabemos mais nada.

2.3. Gémeos
Não é possível uma identificação segura dos casos. Mas, recorrendo aos registos de óbitos, encontramos claramente 10 crianças gémeas nascidas em 5 partos, onde se percebe que morreram mães.

2.4. Tempo desde o Casamento até ao 1º Filho
Também aqui há insuficiência de dados. Mesmo assim, cruzando registos de nascimento e de casamento, fica claro que, em regra, o 1º filho nascia até um ano após o casamento.

2.5. Filhos Naturais e Ilegítimos

Encontramos com frequência registos explícitos de crianças nascidas fora do casamento, com e sem a identificação do pai. Em muitos casos, os progenitores casaram posteriormente. Ilegítimo ou Natural são as frias notas que ficaram nos registos, sendo 71 os casos detetados (5,85% de um total de 1214).
Segundo a História de Portugal, dirigida por José Mattoso, (3) "15,85% de todas as crianças batizadas em 1860 eram filhos naturais ou expostos". No nosso caso a taxa é bastante menor, mas começamos exatamente em 1860. Pelas notas que encontramos nos registos de óbitos e de casamentos, anteriormente esta taxa seria mais elevada.

 2.6. Distribuição por Meses

Procuramos apurar os meses em que ocorreu maior número de nascimentos, neste universo de 52 anos. Constatamos que o mês de Março detém o record, mas fica a ideia de que não haveria significativa programação da natalidade.                                                            
(1) Os Expostos eram crianças “recusadas” pelos progenitores, após o nascimento. Eram acolhidas por instituições oficiais e frequentemente entregues aos cuidados de amas ou famílias adotivas. Muitos expostos (ou enjeitados) foram acolhidos na Cabeça Gorda, pelo menos até meados do século XIX. Não nos agrada a expressão “abandonada” porque nesta situação estão crianças depositadas em matas, caminhos e lugares onde acabarão por morrer. Com a “exposição” havia o cuidado de entregar ou de fazer chegar a criança a alguém que a cuidasse.

(2) Segundo o Registo de Óbitos, esta jovem chamava-se Alexandrina Mendes Vitória e morreu na Estação de Belmonte, Guarda, a 19.03.1899, aos 20 anos, em circunstâncias que desconhecemos.

(3)  Edição do Círculo de Leitores, V Volume
                                                                                                                             (continua)

Manuel Paula Maça
manoel.maza@gmail.com



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