domingo, 26 de agosto de 2012

LUCIANO PAVAROTTI: MEMÓRIA DE UM TENOR

RECORDAR LUCIANO PAVAROTTI

O texto "entre aspas" (a seguir) foi retirado do site do Canal História, onde hoje, Domingo, pelas 23:30 h, passsará um programa acerca do tenor Luciano Pavarotti, falecido em 6 de Setembro de 2007.
Amanhã, segunda-feira, dia 27 de Agosto, o programa voltará ao ecrã, pelas 6, pelas 9 e pelas 16:30h.
Esperamos que o homem e o cantor saiam valorizados, passe a subjectividade a que está sujeita a avaliação.
"Luciano Pavarotti foi provavelmente o cantor de ópera mais famoso dos nossos dias. Nenhum tenor recente teve tanto êxito, carisma e estilo, nem tantos admiradores; e certamente que também não protagonizou tantos escândalos nas capas da imprensa. Este espaço faz um repasse à sua vida, desde a sua extraordinária ascensão a partir de origens humildes, até à sua trágica morte. Durante o percurso seremos testemunhas da adulação do seu público, a sua airosa vida amorosa, a sua batalha contra a balança, o seu turbulento divórcio depois de 35 anos de relação, e de um novo casamento com a sua secretária e amante, muito mais jovem do que ele. Testemunhos de amigos, familiares e colegas desenham um retrato do tenor cheio de matizes".


Deixamos um texto oportunamente publicado.

PAVAROTTI: A IMORTALIDADE RELATIVA DE UM TENOR



O cantor lírico Luciano Pavarotti faleceu a 6 de Setembro, em Modena, Itália. Tinha 71 anos. Um cancro no pâncreas não é boa coisa, e o cantor acabou por ceder à morte, na sua terra natal, onde começara a vida como ajudante de padeiro e agente de seguros. Também foi professor do ensino básico.

Não arriscaremos opinar sobre quem foi o maior tenor do século XX, porque no teatro lírico não basta cantar bem. Enquanto actor, cabe ao cantor conferir acção ao papel e autenticidade ao personagem, interiorizando-o e projectando-o, se possível, física e psicologicamente. E são muitos os que se notabilizaram ao longo do século XX, ainda que nem todos tenham beneficiado das tecnologias que hoje permitem registos de som e de imagem.

Se considerarmos que em ópera se percorrem o filosófico, o literário e o histórico, o coreográfico estará, necessariamente, associado. A ópera será, então, o produto final de um conjunto de manifestações artísticas, com uma obra literária ou um tema, um libreto e libretista (s), um compositor, e não apenas. Virão depois os técnicos, os coros, os condutores e executores da música, do canto e da acção.

Na ópera também existem as correntes, os estilos ou as escolas, mais inovadoras ou nem tanto. A ópera italiana adquiriu natural visibilidade, tendo um período de menor definição enquanto “escola”, que a Giuseppe Verdi coube ocupar entre o Romantismo (Rossini, Bellini, Donizetti) e o Naturalismo (Puccini). Música e sonoridade vocal interligam-se e complementam-se, desafiam-se, rivalizam e são cúmplices, e lá estão as obras de Verdi, com belas árias para tenor e coros magistrais (estes, frequentemente como elementos de técnica narrativa da acção).

A amplitude vocal de Pavarotti fez dele um caso de popularidade na interpretação da ópera italiana. Dizemos “vocal” sem desprimor, mas não poderemos ignorar que estava fragilizado na vertente coreográfica, já que 1,90 m de altura e um peso que ia aos 120 quilos não ajudavam. Coisas que bem sabia gerir e contornar, afinal. São brilhantes e irresistíveis os seus dotes vocais no papel de Radamés, em Aída (Verdi), mas no palco não vemos a postura de um guerreiro que quer sair vencedor e conquistador… mas que acaba por favorecer o papel e a condição escrava da “celeste Aída”. De facto, a voz impressionante sobrepõe-se como elemento valorativo e de compensação.

Muitas vezes a ópera italiana é olhada como escola e como modelo, ainda que sem o rasgo inovador assumido pela ópera francesa e, sobretudo, pela ópera alemã. Ora Pavarotti não optou, visivelmente, por caminhos complexos ou em risco de colisão com a incompreensão ou o insucesso. Era selectivo.

Com Plácido Domingo e José Carreras, Luciano Pavarotti integrou o grupo de “Os Três Tenores”, com actuações e discos a favor de causas sociais. Para trás ficavam a leucemia de Carreras e uma oculta rivalidade ente Pavarotti e Plácido Domingo.

No mundo da arte, ou do canto, a dimensão do absoluto não existe. Mas vale sempre a pena ver e ouvir Luciano Pavarotti, um dos grandes tenores do século XX.


Manuel Paula Maça
      2007-09-28
manoel.maza@gmail.com





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