quarta-feira, 15 de outubro de 2008

ALDEIA DO MATO - SUBSÍDIOS HISTÓRICOS











As terras da Aldeia do Mato, concelho de Abrantes, estiveram até bastante tarde integradas nos domínios da Ordem de Malta (grosso modo, Ordem dos Hospitalários), com sede no Convento do Grão Priorado do Crato, na Flor da Rosa. Encontramos, aliás, escrito que esteve integrado no Almoxarifado da Amieira (1).

O nome poderá dever-se ao facto de por ali abundarem mato e lenha, numa época em que quase tudo o que a mata produzia tinha utilização, fosse como combustível, madeira, camas para animais, ou outros fins, sendo evidentes as mutações daquelas matas ao longo dos tempos, e mesmo do próprio século XX. Se hoje o eucalipto avança, o pinheiro bravo, a oliveira e o castanheiro figuram em muitos documentos de partilhas antigos.
A Carreira do Mato é, então, um dos lugares da freguesia. Os outros são: Bairros (Cimeiro e Fundeiro), Cabeça Gorda, Medroa, Vale de Chões, Pucariça, Vale da Vinha, Vale Manso, Conheiras e Casais. Outros pequenos lugares figuram em documentação antiga: Vale Salgueiro, Casinha, Figueiras, Vale Redondo, Várzea da Portela… e até “um” Rio de Moinhos!

Antigas referências
Diz-nos a revista ZAHARA, edição n.º 1 (2) que a povoação já é referenciada nos séculos XII / XIII, e que ali existiria a igreja de Santa Maria dos Matos.
Outra referência frequente é o cadastro da Estremadura, de 1527, que lhe atribui 15 moradores (entendam-se 15 famílias e arrisquemos 60 pessoas). Mais tarde (1712), o padre António Carvalho da Costa falava em “58 vizinhos”.
No contexto das Memórias Paroquiais do Padre Luís Cardoso, consta que em 1736 teria “80 fogos e 336 almas”. Nas respostas ao interrogatório datado de 5 de Outubro de 1759, o cura Matheus Lopes falou em 110 fogos, 321 pessoas de maior idade e 44 de menor idade.
Segundo o “Dicionário Chorográphico de Portugal e Ilhas Adjacentes” de 1885 (3), teria 399 varões e 438 fêmeas, o que totaliza 837 pessoas.
Um trabalho que oportunamente desenvolvemos em torno dos registos compilados pelo Padre Manuel Lopes Alpalhão (pároco entre 2 de Janeiro de 1901 e 10 de Julho de 1923), levou-nos a admitir uma população de cerca de 1.200 pessoas, por volta de 1910, talvez em arredondamento por excesso. À data, apuramos uma taxa de mortalidade infantil de 18,4% (até 1 ano de idade) e 30,8% até aos 10 anos!
A redução da natalidade e a desertificação humana (rumo a Lisboa e à Suíça, sobretudo), a par de diversos fenómenos de natureza social, levaram à situação actual, com uma população flutuante e muito menos de 1.000 eleitores inscritos nos cadernos eleitorais.

Outras curiosidades
Em 6 de Novembro de 1836 a freguesia de Aldeia do Mato foi anexada ao concelho de Constância, mas voltaria a Abrantes em 1837, no meio de um processo nada pacífico, envolvendo, aliás, outras freguesias e outros concelhos próximos. A “Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes” (4) fornece-nos alguns pormenores sobre todo este processo.
As Invasões Francesas trouxeram um elevado preço ao nosso país. Junot (I Invasão) entrou em Abrantes na manhã de 24 de Novembro de 1807. A pacatez da nossa aldeia foi devassada, e os parcos haveres dos nossos antepassados roubados ou destruídos. Há mais de 20 anos abordamos o assunto num jornal local (A Nossa Terra Natal), em capítulos, e se o tempo e os afazeres nos deixarem a ele voltaremos.
Uma palavra final para lembrar que, no contexto da I grande guerra, 18 dos nossos conterrâneos foram combater para França. Vieram todos sãos e salvos… porventura com a alma a sangrar. Com uma jovem e periclitante República, Portugal queria estar do lado dos previsíveis vencedores e garantir o império em África.

Manuel Paula Maça

(1) O Grão Priorado do Crato estava dividido em quatro almoxarifados. A Aldeia do Mato estava integrada no Almoxarifado da Amieira. Vd. Amieira do Antigo Priorado do Crato, Tude Martins de Sousa e Francisco Vieira Rasquilho, Tipografia Popular, Figueira da Foz, 1936, e Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1982.

(2) Maio de 2003. Eduardo Campos e Maria João Rosa. Edição Palha de Abrantes. Este trabalho é bastante desenvolvido e recomenda-se.

(3) E. A. Bettencourt, 3ª Edição.

(4) Manuel António Morato e João Valentim da Fonseca Mota. Conhecemos duas edições, ambas enriquecidas com arranjo e notas de Eduardo Campos.

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